O efeito foi que eu dei uma travada. Já tive idéia de escrever uns três posts depois daquele, mas quando eu entro no blog e vejo a útima postagem, acho os assuntos idiotas demais para se sobreporem a ela.
domingo, 22 de agosto de 2010
Trava
Eu fiz essa postagem de ontem, falando de um assunto muito sério. E gostaria mesmo de poder fazer mais alguma coisa além de escrever sobre isso, mas me sinto de mãos atadas, como todo mundo.
sábado, 21 de agosto de 2010
E o Rio de Janeiro continua... lindo?
Fiquei sabendo pelo twitter agora de manhã que um grupo armado iniciou um tiroteio com a polícia em São Conrado, invadiu o Hotel Intercontinental e fez funcionários reféns (matéria do G1 aqui).
Isso causou um movimento no twitter, o pessoal revoltado com a situação do Rio, perguntando onde vamos parar, dizendo que não adianta colocar panos quentes, varrer pra baixo do tapete e empurrar olimpíadas e copa do mundo pro povo esquecer.
Concordo plenamente que isso é um absurdo, chega a ser surreal imaginar que você está trabalhando tranquilamente na cozinha do hotel quando 15 homens armados com fuzis invadem o local e te fazem de refém.
Mas fica a pergunta: por que razão a revolta só aparece quando ocorrem esses fatos no eixo Barra/Zona Sul? Há um mês uma criança de 11 anos morreu na sala de aula, atingida por uma bala perdida, e eu não vi a mesma comoção. Quase diariamente, os moradores das favelas cariocas são igualmente feitos de reféns em suas próprias casas em meio a trocas de tiros, seja da polícia com os traficantes ou de grupos rivais do tráfico que tentam dominar uma mesma área.
A empregada lá de casa, a duras penas, comprou uma antena parabólica para ela, que semanas depois estava inutilizada graças a buracos de tiros. Ela tem hora para sair e chegar, não pode circular livremente, é obrigada a passar por sentinelas de 12, 13 anos armados na entrada de sua rua e cumprimentá-los, pois se não o fizer corre risco de vida. Ela tem uma filha, de 15 anos, que não pode viver a adolescência que nós vivemos, indo a festinhas, passeando, levando as amigas pra estudar em casa. Fora que, a polícia quando vai nas favelas, atira onde der na telha e depois planta armas e drogas na mão do infeliz, se errar o alvo.
Mas na favela é normal, né? Acontece todo dia. Revoltante é quando chega pertinho de mim, na zona sul. Aí não, né? Aí eu tenho que protestar no twitter!!
Olha, os cariocas, eu incluída, temos que fazer um exercício diário de indignação. Realmente é fácil se habituar a essa balbúrdia, recebendo notícias assim todos os dias. É a mesma coisa que a guerra no oriente médio, por exemplo. Uma vez na semana a gente ouve uma notícia de atentado com carro-bomba, e só pensa "puxa, que coisa" - como se ouvisse sobre a extinção da ararinha-azul. Mas como é lá longe, esquece rápido, não se sente atingido.
A mesma coisa da insegurança pública no RJ: a gente ouve, mas como é lá longe na favela, passa batido. Não, temos que fazer o exercício da indignação, temos que sair da zona de conforto de achar triste, mas rotineiro! Parar de ler o jornal, ficar um pouco chateado, e imediatamente virar a página e escolher que filme ver mais tarde.
É muito sério o que acontece lá, e muito mais sério o que acontece nas favelas diariamente do que o que aconteceu hoje em São Conrado.
Que fique claro: não estou dizendo de forma nenhuma que as pessoas não devem se revoltar com o que aconteceu hoje, estou dizendo que NÃO SÓ com isso.
Jamais vou esquecer do depoimento do pai do menino de 3 anos, morto por engano pela polícia em 2008, dado a Ricardo Boechat poucos dias após o ocorrido: "eu não aceito que meu filho seja mais um a entrar para as estatísticas, se isso aconteceu com ele que não seja à toa, que provoque alguma mudança real."
Esse caso aconteceu pouco antes de eu vir morar em Aracaju, e contribuiu na decisão de me mudar. Lembro que eu falava na época: eu não quero me acostumar com isso, eu não posso perder a capacidade de me indignar.
Fazendo coro com o pai de João Roberto, continuo com esperança de que essas crianças que morrem possam provocar alguma mudança. E fico muito triste por escrever a última frase no presente 'morrem' ao invés do passado 'morreram'.
PS: odeio o termo politicamente correto, e amplamente difundido, comunidade. Só porque o então prefeito César Maia pintou alguns barracos com uma tinta bem coloridinha e fofa na época do favela-bairro, as favelas não viraram comunidades, nem muito menos bairros. Não adianta mudar só o nome. Isso é mascarar tanto quanto pintar a fachada dos barracos. Favela é feio, não contribui com o turismo, então a gente chama comunidade pra dar a idéia de um bairro de periferia de novela das oito, um pessoal divertido, que samba e come pastel e vai ao piscinão de Ramos. Não, obrigada. Continuarei usando a nomenclatura antiga, favela, até que alguma mudança mais efetiva do que a de nome seja feita nesses locais.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Uma noite em 67
No meu último fim de semana no Rio, fui com meus pais assistir Uma noite em 67. O filme é imperdível, do tipo "tem que ver de qualquer jeito" e "vou comprar o dvd assim que sair", por vários motivos:- Eu gosto muito de saber sobre o momento de criação da arte. A história da música e do que inspirou seu compositor e/ou autor, a história de um quadro, de uma escultura... Adoro mesmo isso. Não é à toa que li de uma sentada só o Chico Buarque - Histórias de Canções e sempre que posso revejo O Mistério de Picasso. E esse filme mostra histórias de músicas que não são quaisquer músicas, são músicas importantíssimas que marcaram época.
- Não é um filme romântico, ou seja, não é nostálgico e nem mostra o festival e seus participantes como sendo sempre extremamente militantes e politizados. O diretor do festival, por exemplo, fala que acima de tudo era um programa de TV, e que ele estava preocupado com a audiência. E o Chico diz que um dos motivos de ele não ter participado do movimento tropicalista foi que, nas reuniões, ele sempre estava bêbado e nunca lembrava do que era discutido!
- O filme, em si, é muito bem feito. Há filmes em que a história é boa, mas o filme é mal produzido. Não é, definitivamente, o caso desse. Tem um equilíbrio bem legal entre os depoimentos, as imagens e entrevistas da época, as músicas... Enfim, perfeito.
Bom, eu poderia fazer uma lista com um milhão de motivos, e ainda assim não seria capaz de expressar a beleza do filme em toda sua plenitude. Saí inebriada da sessão, e fiquei debatendo o filme com meus pais durante longas horas. Eles têm memória disso, assistiam pela TV e me contaram tudo o que lembravam da época... que inveja.
E, por falar em inveja, uma reação inevitável ao sair da sessão é a nostalgia. Costumo não gostar de pessoas que engrandecem o passado, com aquela velha frase "na minha época...", como se alguma época de fato tivesse sido boa. Me policio bastante, inclusive, para não ter reações desse tipo.
Mas não teve jeito. Você vê na platéia do festival jovens, até crianças, cantando a plenos pulmões aquelas músicas, todo o movimento estudantil da época, o engajamento das pessoas e a fé de que elas poderiam sim fazer alguma diferença... e compara com nossos queridos jovens de hoje, que são fãs de Justin Bieber e Crepúsculo. Não dá pra não sentir uma tristeza.
Bom, agora o que eu mais quero é comprar o livro A Era dos Festivais: Uma Parábola (que foi uma fonte importante para o filme), para saber mais e mais sobre o assunto. E, claro, o DVD - assim que for lançado.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Cenas do Cotidiano
Meu pai e minha mãe, alguns dias atrás, saíram para cortar o cabelo. Meu pai corta o cabelo dele há quase 30 anos com o mesmo barbeiro, e desde então NUNCA cortou em outro lugar, nunca mesmo. Acho até que no dia em que esse barbeiro se aposentar, meu pai vai deixar o cabelo crescer pro resto da vida, ou algo do tipo. Bom, minha mãe não corta nesse barbeiro, né, então meu pai deixou ela no shopping e foi à barbearia. Ele cortou o cabelo, voltou pra buscá-la e ela estava esperando a vez, ainda nem tinha começado.
Eles combinaram que então ele ficaria rodando um pouco, fazendo hora enquanto esperava. Só que ele não é bem o tipo que dá voltinhas em shoppings, digamos assim. Aí ele foi passear na C&C, única loja "macha" de lá, onde vende material de construção, e quando acabou de ver tudo o que tinha lá foi esperar minha mãe no estacionamento. Ela chegou, e....
Pai - Demorou, né?
Mãe - É, um pouco, mas vc sabe, tinha fila, hoje é sábado, blá blá blá...
P - Olha só o que eu comprei!
M - (...)
P - (...)
M - Uma tampa de vaso?
P - É, ué!
M - Mas as nossas estão boas, a gente não tá precisando nem nada. Tava em promoção?
P - Não, preço normal mesmo.
M - (??)
P - Ah, a gente guarda, No dia em que precisar, já tem.
Agora, acompanhem comigo: quando a gente compra alguma coisa da qual não está precisando, é por interesse, consumismo ou hobby, né? Eu, por exemplo, tenho uns 10 batons, mas se vejo um tom de rosa diferente, tenho interesse em comprar, porque eu gosto, aquilo me diverte. Assim como tem gente que compra roupas, livros, eletrônicos, etc.
Mas me digam: quem, meu deus, QUEM, compra um assento sanitário por puro hobby????
Minha família dava um livro. Provavelmente de humor.
domingo, 11 de julho de 2010
Auto-promoção

- ele é formado em adminstração;
- já foi diretor de duas cooperativas, e só saiu delas porque trabalhava bem DEMAIS, o que provocou conflitos internos;
- ele trabalha apenas com hora marcada, já que é tão simpático e competente que não precisa pegar passageiros aleatoriamente na rua (apesar de eu ter pego o táxi assim...);
- ele ganha por volta de R$ 1500 por semana;
- ele fala e compreende várias línguas, pois tem muitos clientes turistas (inclusive fala inglês com sua esposa, em casa, para praticar);
- ele dá aulas de samba para esses clientes turistas;
- ele dá aulas também de direção segura e eficiente a clientes que têm carro e CNH;
- ele já foi encarregado da frota da Telemar, e foi até ameaçado porque conseguiu acabar com TODA a corrupção que existia na época.
E por aí vai. Eu já não sou muito de conversar, ainda mais indo trabalhar num sábado de manhã cedo. Comecei ficando irritada, querendo só curtir o caminho e ouvindo o cara falar isso tudo. Mas da metade do trajeto em diante, juro que comecei a admirar a forma com que o motorista conseguia se auto-promover assim, com tanta naturalidade, e encontrar brechas inimagináveis para isso, como no seguinte diálogo:
(...)
- Mas se você quiser, posso te indicar um mecânico de confiança.
- Não, eu não moro aqui, meu carro fica em Aracaju.
- Bem que eu percebi que seu sotaque era diferente
- Não, mas eu sou carioca, é porque acaba misturando mesmo, hehe.
- Ah, o meu sotaque também. Você sabe, eu falo inglês, espanhol e um pouco de italiano com os clientes turistas que eu tenho, blá blá blá
(...)
Isso, apesar de um tanto repugnante para mim, é indispensável hoje, né... Triste.
sábado, 3 de julho de 2010
Toasts
+

=
Um pedaço do paraíso na Terra.
É sério, essa combinação ficou boa demais, demais mesmo. Acabei de comer agora dez toasts com meio pote desse sorvete. Pena que seja tão caro, por volta de 15 reais um mísero potinho desses, que só dá pra dois dias se eu me controlar muito.
A foto e a receita das toasts eu peguei daqui, e fiz só algumas alterações: ao invés de colocar o açúcar antes de fritar, coloquei depois, porque a Camila tinha me avisado no twitter que ela tentou fazer e o açúcar queimou e amargou. Fritei então sem nada e joguei açúcar por cima delas ainda quentinhas. Ficou boooommmm...
E coloquei 5 fatias de pão, o que casa a quantidade certinho com a mistura dos ingredientes pra banhar, acaba ao mesmo tempo.
Infelizmente, eu não tinha morangos nem pecãs (nunca nem vi pecã pra vender em Aracaju), mas mesmo assim ficou ótimo.
E assim já acabei com meio pacote de pão de fôrma aqui em casa em 3 dias. Antes de comer com sorvete, tinha feito algumas pro café-da-manhã, e tomei com leite puro - não precisa mais nada, fica delicioso.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
SMS

Ontem eu recebi a seguinte mensagem no meu celular:
"Tiaguinho sou eu a menina k pasou ai! K vc ficou.olhando a gordinha. Cmo vcs falam.eu te amul.gostoso.quero dar uma foda.cm vc olha.vai na festa.d viscond eu vou estar.la.gostoso!.hoje ta" - transcrita fielmente, inclusive a pontuação.
Eu pensei por algum tempo, e com muito trabalho (já que eu não entendo "miguxês" nada bem) cheguei à seguinte tradução:
Thiaguinho, sou eu, a menina que passou aí. Que você ficou olhando - a gordinha, como vocês falam. Eu te amo! Gostoso! Quero dar uma foda com você. Olha, vai na festa de Visconde, eu vou estar lá. Gostoso! Hoje, tá?"
Logo em seguida eu recebo: "Se vc for Thiaguinho me liga!"
Fiquei muito chocada! Como é que a menina manda uma mensagem dessas pro celular de alguém, ainda por cima sem nem ter certeza que é o celular da pessoa certa!!
Meu lado mau, comandado pelo diabinho, pensou em responder com algo do tipo "Claro, tá marcado, vou te comer gostoso hj à noite, me espera lá". Mas, tadinha, ela já não deve estar numa situação muito fácil pra ter mandado uma mensagem dessas, então deixei pra lá e não respondi nada.
Só que hoje de manhã, no meio do jogo do Brasil, recebo outra: "Oi bm dia". Aí tive que responder, né, pra menina não se sentir um lixo, deixada de lado. Mandei essa:
"Olha, você tá mandando mensagem pra pessoa errada, desde ontem. Não sou Thiago. E nem mande mensagem pra pessoa certa agora no meio do jogo, que você vai ser ignorada. Só uma dica..."
Aí a menina manda: "Eu sei km vc eh lenon.ah n fui eu km mat", que eu não consegui traduzir. E outra: "km eh vc.k mal lhe pergunte".
Eu mando: "Sou mulher, esse é meu celular do trabalho. Sem dúvida você não me conhece. E não se ofereça tanto pra ele, querida, não fica bem..."
Resposta: "Ta!desculpa.pensei k fosse lenon da banda eh k eu tinha um recado d maria rosa.tchau.desculpa ter incomodado :-D"
E aí esse diálogo todo me deixou com algumas perguntas fundamentais:
-quem são essas pessoas, meu deus? Quem é que manda mensagem pra um pseudo-desconhecido, se apresenta como "a gordinha que ele fala", diz que o ama e que quer dar uma foda com ele ?? A situação tá tão crítica assim? Cadê os modos dessas meninas? Tudo bem se insinuar, e querer trepar, não sou nenhuma puritana pra ser contra essas coisas. Mas ela podia ser mais educada, mais sutil, não?
- desde quando o português se tornou essa língua estranha? Eu sou do tempo que km = quilômetro, e não km = quem. Isso não é abreviar, nem é licença poética da internet. Isso é uma aberração!!
- a última, e mais importante: quem é que dialoga com alguém que lhe manda um sms errado, e ainda dá conselhos? Estou ficando cada vez mais doida...
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