quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Teste: Você é uma tia chata?

Estou em Recife, na casa da minha avó. Ela mora no apartamento térreo em um condomínio de muitos prédios baixos, o que tem, claro, vantagens e desvantagens - para mim. Para ela nem discuto, já que só o fato de não ter que subir escadas é fator determinante.

Uma das desvantagens é ouvir toda e qualquer conversa que se passa na área comum do condomínio, que pode ser entre diversos tipos de pessoas diferentes (adolescentes, senhoras, garotões, crianças e às vezes alguns elementos misturados). Há dois minutos, ouvi o seguinte diálogo aqui na janela:

- Alô? Quem fala? Ah, sim, oi Leandrinho, como você tá?
- Oi, sou eu sim. Anota o número na agenda do celular, que eu mudei.

Imagino que o tal Leandrinho tenha dito isso, pelo contexto do diálogo. Agora é que começa o teste. Como você prosseguiria o diálogo?

a) Claro, anoto sim. Mas diga, como estão as coisas? (ou qualquer coisa que o valha)

b) Menino, agora não dá porque esqueci os óculos em casa, saí com pressa pra comprar gás e nem trouxe. Só vou poder salvar quando eu chegar em casa, aí vai dar pra ver a tela do celular. E você nem sabe, eu não tô enxergando nada sem meus óculos, nada! Tenho até que marcar um médico pra ver se "me opero" logo, bla bla bla whiskas sachê.

E aí, qual a opção??

Note que eu estou tentando estudar. Dou um doce pra quem adivinhar qual foi a opção da vizinha aqui do meu lado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Violência


Violência contra a mulher. Primeiro eu vi a campanha aqui, no blog da Liliane. É um tema tão complexo, triste e cruel esse, não? Nem tinha muito o que falar, então só fui acompanhando, fazendo minhas leituras (na medida do possível) pelo twitter. Calhou de eu estar navegando e ver este post da Elise. Juntando com a biliografia que eu estava lendo pra prova do mestrado, um emaranhando de pensamentos me invadiu.

Reparem nos comentários do post da Elise, e em tudo o que a gente escuta na vida sobre esse tema. Escuta e fala, que fique claro, pois pensando nisso me dei conta de que eu mesma tinha um discurso muito parecido. Tudo se encaminha para a seguinte máxima: a mulher é culpada pela violência que sofre. Não estou falando da forma mais comum de culpabilização, a que é mais explícita, como aquele pessoal que diz dos estupros coisas do tipo: "Ah, mas também, olha a roupa que ela saiu, chama muito a atenção". Ou no caso das mulheres que apanham do marido: "Mas tem mulher que provoca! Não quer apanhar, então não enfrente, não bata".

A culpabilização que nós promovemos é bem mais sutil, e talvez por isso mais eficaz. Nós falamos: "Mulher, não se submeta. Se ele bateu uma vez, não vai mudar, saia de casa. A violência começa com gritos, passa para agressões físicas e depois pode chegar até mesmo à morte". Nos comentários do post, tem uma menina que fala que "No final das contas, as mulheres são vítimas delas próprias", e outra ainda que diz da "insistência" de uma conhecida em permanecer namorando um homem que bate nela.

O que é que está nas entrelinhas? Que a mulher foi burra de não perceber o que isso ia se tornar logo no começo, e é fraca para se livrar da situação hoje. Nos livros que eu estava lendo para a prova, tem uma discussão sobre a individuação, sobre como essa ferramenta é privilegiada para nossa sociedade de controle. Tentando resumir em poucas linhas não-acadêmicas: há um movimento de responsabilizar individualmente as pessoas por suas tristezas e fraquezas. A conjuntura social, momento histórico, organização política ficam quase de fora. Podem até entrar na discussão, mas, em última instância, o responsável é você por aquilo que te faz insatisfeito. Você é quem deve correr atrás, você tem que buscar sua felicidade. Com a discussão sobre a violência contra a mulher não é diferente - todas as campanhas têm esse teor: seja forte, seja inteligente, denuncie, fuja.

Há tantos, mas tantos fatores envolvidos nessa questão! Confesso que não tenho uma opinião formada sobre isso, ainda acho estranho uma mulher se submeter a isso, ainda é um esforço para mim tentar pensar de um jeito diferente desta lógica de responsabilização. Claro que há elementos envolvidos que são da ordem do desejo, mas há muitos outros também. Será que as campanhas deveriam ser essas? Será que é por aí, "conscientizar" as mulheres a respeito da violência que sofrem e incentivá-las a denunciar os agressores? Será que alguém no mundo precisa ser conscientizado de uma violência que sofre na pele?

Tendo a achar que não. As medidas a ser tomadas deveriam ser num âmbito mais político, menos assistencial. Sem desprezar nenhum dos fatores envolvidos, deveríamos parar de responsabilizar as mulheres individualmente por sofrerem violência, porque é isso que fazemos. Fazemos sim. Quando a gente fala da "Violência contra a mulher", como uma instância bem afastada, a gente (às vezes) coloca a discussão de uma forma mais geral. Mas quando a gente fala da Celinha*, que mora ali na rua de trás, é super de bem com a vida, bonita, poderia trocar de marido mas continua com o que bate nela de vez em sempre, bêbado, o que a gente diz é "Nossa, como ela é louca! Se fosse eu não aguentava! Isso é burrice dela, ela podendo sair de casa..."

*Nome e história totalmente ficctícios.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Confissão + micropoder + selo


Preciso confessar uma coisa: eu não levo a internet a sério. Não estou dizendo que a internet não pode ser uma coisa séria, não é isso - EU não consigo levar a sério, e acho que estou papando uma mosca bonito por causa disso.

Hoje em dia, todo mundo sabe qual o alcance que a internet pode atingir, isso ficou muito claro nas últimas eleições. E isso é só o começo, eu acredito que daqui a poucos anos o principal veículo de comunicação será a internet. Nada de televisão, jornais, rádio, nada dessa imprensa velha, por um motivo simples: a internet reúne tudo isso em um só lugar, com a vantagem de ser totalmente móvel e versátil. Você assiste o que quer, na hora que quer, de onde estiver. Esqueceu de comprar o jornal ontem? Não faz mal, leia na internet. Está fora do país, perdeu a novela, o noticiário? Internet. Minha previsão leiga é que em pouco tempo o número de conteúdos produzidos exclusivamente para a internet vai aumentar bastante, ao mesmo tempo em que a portabilidade da internet vai disparar - hoje os celulares com esta opção já estão baratos e os planos acessíveis, imagina daqui a cinco ou dez anos.

Consequentemente, o poder de um veículo que tem todo esse alcance vai ser algo surreal. O que a TV tem hoje de formadora de opinião, a internet vai ter em escala absurdamente maior, o que, claro, pode ser perigosíssimo. Hoje dependemos da internet para tudo, de comunicação com os amigos a trabalho, de entretenimento a informação. Os poderosos não são burros, já repararam nisso e se utilizam de artimanhas sinistras. Já viu as propagandas no Gmail? Dependendo do que está escrito no corpo do seu e-mail, os links de propaganda do lado direito dão sugestões diferentes. Repara só: eu tenho um e-mail sobre tatuagens na caixa de entrada, e ao lado um monte de propaganda de estúdios e tatuadores. Tenho outro e-mail sobre um livro que tô querendo comprar, e tome propaganda de livrarias. Fora, claro, alguns sites de conteúdo duvidoso, "formadores de opinião", como acontece com a TV hoje.

Somos sutilmente bombardeados por esse tipo de coisa, e isso tem um efeito muito mais poderoso do que, por exemplo, os antigos pop-ups que saltavam a cada página aberta. Por que eles sumiram? Aquilo irritava, atrapalhava, só chamava atenção a quem já estava interessado antes no seu conteúdo. Diferente de links despretensiosos ali, na lateral do seu e-mail, que muitas vezes você nem vai ler com atenção, vai só passar os olhos, não vai se dar conta deles, e em determinado momento vai ser convencido daquilo, pensando que foi idéia sua, já que você sequer vai lembrar que existia tal link em algum lugar.
Nós estamos assistindo o início de uma mudança significativa na informação, no marketing e nas comunicações. Nem sei onde isso vai parar, e sinceramente me assusta.

A despeito disso tudo, eu ainda não consigo levar a sério a internet. É só ver, por exemplo, a lista de blogs ali do lado ou quem eu sigo no twitter. 45% do meu tempo é gasto vendo coisas relacionadas a humor, outros 45% lendo sobre cosméticos, maquiagem e outras bobagens do tipo, e apenas 10% fazendo alguma coisa que preste, tipo lendo e-mail, jornal, fazendo alguma pesquisa ou lendo blogs sérios.

Se eu não tenho hábito de ler sobre assuntos sérios, o que posso dizer sobre escrever?? Esse meu blog pode ser tudo, menos sério. Falo sobre temas aleatórios e cotidianos, como se eu tivesse tomando um suco ali na esquina com uma amiga. E eu gosto disso, sabe, de sérios já bastam o emprego e os textos acadêmicos que tenho que ler e escrever. Internet pra mim é desopilar e procrastinar. Nada mais.

Sendo assim, qual não foi minha surpresa ao ver que uma mulher séria, mãe de família, engajada, politizada, que consegue até andar sozinha de metrô com os dois filhos (tudo bem que ela caiu, mas isso não vem ao caso) num país frio e distante como a Liliane me indicou o seguinte selo:

O selo, Prêmio Dardos é o reconhecimento aos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras. Esse selo foi criado com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, sendo uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
As regras do selo são as seguintes:
1. Exibir a imagem do selo no blog, esta que ilustra o post;
2. Revelar o link do blog que me premiou;
3. Escolher blogueiros pra premiar.

Haha, não sei qual o valor que meu blog agrega à Web, mas quem sou eu pra contrariar!! Aí eu tenho que escolher blogueiros pra premiar também, e puxa! Como é difícil! Resolvi escolher alguns que podem não falar de assuntos considerados sérios a princípio, mas que levam muito a sério a sua proposta e me transmitem um monte de conhecimento legal. São eles:

Technicolor Kitchen - Ela tem um capricho todo especial com as suas receitas, e principalmente com a transmissão delas! Não é daqueles blogs que dizem "olha só o que eu fiz", é daqueles que incentivam, dão todos os detalhes pra você também poder fazer. E as fotos são de babar!

Põe um batonzinho - O que ela se propõe a fazer, faz muito bem. Um papinho de comadre, despretensioso, bem pra relaxar, sabe? Desde aquele creminho até aquele vídeo engraçado que ela achou na internet!

Nossa, tantos outros... cada um que está ali ao lado eu leio sempre, e adoro, e acho que merecem esse selo. logo, estão todos indicados!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Subversão


Ouvindo o noticiário da Band agora há pouco fiquei com uma dúvida. Como pode a notícia da greve geral e protestos na França contra a reforma da previdência ter sido dada com esse enfoque: Lady Gaga cancela show na França por causa dos tumultos???
Como assim? Quem é cacete de Lady Gaga pra ser tão importante a ponto de mascarar a notícia??
Posso estar sendo muito paranóica, mas acho que isso tudo só pode ser para que nós, brasileiros, não sigamos o exemplo de protestar, fazer greve, deixar faltar combustível. Uma situação dessas acontecendo lá e a imprensa daqui falando de porra de Lady Gaga??
Revoltei.

A identificação e o cinema

Ontem eu fui ao cinema assistir ao Tropa de Elite 2, finalmente. Aproveitei um intervalo e fui no começo da tarde, na sessão das 14h, que estava praticamente vazia - o que foi ótimo, já que detesto ver filme com torcida, sabe? Gente gritando, aplaudindo, vaiando.

Eu não estou no Rio essa semana, estou em Aracaju resolvendo algumas coisas, e pretendo muito quando voltar ao Rio assistir de novo lá, pra confirmar (ou refutar) uma impressão que tive: quem não é carioca não se afeta com o filme. Eu saí da sessão com o estômago embrulhado, totalmente desgostosa da vida, com lágrimas nos olhos e lamentando muito o filme não ter sido lançado antes das eleições para o governo do Estado.

Não vi a mesma reação nas pessoas: saíram rindo, repetindo uns bordões, foram lanchar.
Lanchar!! Quem consegue comer depois de um abalo desses?? Quem não convive de perto com esse tipo de coisa talvez não seja tão tomado ao ver tudo esfregado na nossa cara, assim.

Saí com inúmeros sentimentos do cinema: raiva, tristeza, impotência e culpa.

Raiva pois pagamos para manter uma máquina burocrática que não serve para nada além de atender aos interesses de uma minoria. Existe a polícia, mas ela não pode agir como deve. Existe a inteligência, a investigação, a política, mas há forças paralelas intransponíveis que não deixam a coisa funcionar como deveria. Tudo se resume a jogos de poder, que envolvem votos, milícias, traficantes, drogas - no final das contas, o que rege tudo é o dinheiro.

Culpa por ver isso tudo e não fazer nada. Impotência por pensar que eu não poderia mesmo fazer nada que desse resultado. E tristeza ao constatar que não há perspectiva de melhora. Na saída, cruzei com um moço carregando um bebê fofo nos braços e quase chorei pensando que aquela criança linda teria que lidar com tudo isso, ou pior, fazer parte do sistema. E tive medo de ter filhos.

E a impressão que eu tive foi de que as pessoas não querem saber desse tipo de coisa, isso não lhes diz respeito se podem continuar trocando de carro todo ano e usando roupinhas de marca. Será que o mundo está assim mesmo ou será porque vi o filme longe dos personagens principais dele, os cariocas?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O inferno


Esses dias eu estava pensando sobre o inferno. O que deve ter lá pra ser tão ruim, quais seriam os elementos que o compõem? Pensei que se eu fosse o capeta, o meu inferno seria assim:

- Teria aquelas máquinas de sugar saliva que os dentistas usam, e a gente ficaria com a boca bem seca o tempo todo;
- Fios de cabelo estariam espalhados por lugares de seu corpo, coladinhos pelo suor, sabe? Nas costas, no rosto (passando pelo olho) e no bumbum. Ah, e no prato de comida.
- Teria sempre um fiapo de manga ou um pedacinho de carne preso entre os seus dentes.
- Duas pedrinhas no sapato: uma no calcanhar e outra entre os dedos.
- A calça jeans e o sutiã apertariam o pé da barriga e as costas, respectivamente.
- Debaixo das unhas teria alguma sujeira também, de preferência terra.
- Baratas voadoras apareceriam esporadicamente e esbarrariam em você ao dar seus rasantes.
- Tudo teria cheiro e gosto de banana.
- Por último, e mais importante: nada disso seria em tempo integral, pra que não houvesse o risco de nos acostumarmos com as sensações e esquecê-las. Seria, talvez, em dias alternados - e nos dias "não", a trilha sonora seria Florentina, do Tiririca.

Fundamental também: nada de dor ou sofrimento, só incômodos. Às nossas dores, nos apegamos. Duvida? Pede pra sua tia te contar sobre o joelho dela, pra você ver como ela fala com gosto! Pergunta se ela cumpre as recomendações pra se livrar da dor. Claro que não, é legal esse papel de vítima, rende assunto. Mas experimenta colocar uma pedrinha no sapato ou um cabelo no olho pra ver se ela não vai imediatamente tirar!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tolerância Zero

Tenho certeza que quando eu for mais velha, vou ser igualzinha ao Seu Saraiva (aquele do "Pergunta idiota, tolerância zero"), certeza absoluta!! Quer ver??

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Na xerox da faculdade:

Eu: - Moça, quero tirar uma cópia desse artigo aqui.
Moça: - Todas as páginas?
Eu: - A-hã.
|O que eu quis responder|: Não, não, só as ímpares, por favor. Você sabe, a grana anda curta... Eu leio as páginas ímpares, e as pares eu tiro por dedução, ó que beleza!! Grrrrr.

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Na loja de roupas, véspera do dia dos pais:

Eu: - Vou levar esse pijama masculino GG, o azul escuro, tá?
Moça: - Mas é pra presente?
Eu: - Sim.
|O que eu quis responder|: Dã, óbvio que não, não tá vendo que é pra mim? O modelo, o número, como é que ia ser pra outra pessoa? Aliás, melhor embrulhar, é pra mim mas é pra versão pai, saca? Tipo aquele problema do Beiçola de A Grande família, de assumir a identidade da mãe? Comigo é a do pai. Grrrrr.

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Nos corredores da faculdade:

Cara: - Didática IV? Didática IV?
Eu: - É ali, o próximo prédio.
|O que eu quis responder|: Licenciatura III. Rá! Tá pedindo informação ou tá jogando, cacete? Sabe formular frase não? Grrrrr.

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É por essas e outras que eu acho que nós, mulheres, temos menopausa. Imagina lidar com velhice E tpm, tudo ao mesmo tempo? É mau humor e impaciência demais, o mundo ia acabar na peimeira geração!!